domingo, 7 de setembro de 2008

Dos solos destes filhos da mãe, gentil...




Se um dia no porvir
Minha pátria eu for servir
Hei de honrar esta bandeira!


Este hai-kai tupiniquim é uma das lembranças que tenho desta época do ano nos meus primeiros tempos de colégio. A semana da pátria era um evento grandioso, com uma programação intensa: apresentações, jograis, poesias e ensaios, tudo exaltando as belezas e o amos a terra mãe, além dos exaustivos ensaios, para que tudo corresse bem no gran finale: o Desfile de 7 de Setembro.

E isso que já podia-se perceber uma certa decadência nestes desfiles. Ainda havia marcha, bandas, bumbos, trompetes, pratos, mas o espetáculo já deixava a desejar em relação ao que ocorria anos atrás. Era nítido o enfraquecimento das nossas instituições de ensino, que outrora foram responsáveis por dar à nossa cidade a alcunha de "berço regional da cultura", mas que estavam sendo assoladas pelas sucessivas crises econômicas, que culminariam com o fechamento de 2 das 3 das escolas particulares.

Mas voltando à minha época, ainda havia resquícios de um civismo forçado. Aliás, a minha geração foi a última a ter aulas de Educação Moral e Cívica (assim com a última a fazer curso de datilografia e a brincar com produtos não-chineses), herança dos tempos do governo militar. Mas como tudo que é imposto e onde não há espontaneidade, estas demonstrações de patriotismo forçados estavam fadadas a talvez não acabar, mas tornar-se uma mera formalidade.

Quando fui para Horizontina, vi que lá os desfiles ainda tinham força. O grande combustível, ao meu ver, era a rivalidade entre as escolas, bem mais forte do que em Cerro Largo, quando aproveitava-se esta oportunidade para uma instituição tentar demonstrar sua suposta e almejada superioridade perante a outra. O evento era bem organizado, com alunos uniformizados marchando e bandas exaustivamente ensaiadas.

Mas é claro que eu não gostava disso, e fazia de tudo para não participar da "festa", sempre dando um jeito de fugir na hora do desfile. Tínhamos (meus cúmplices e eu) até a cara de pau de ajudar a guardar os instumentos da banda, ao final do desfile, apesar de termos marchados em direções distintas.

Não sei como estão os desfiles em Horizontina nos idos de 2008. Aqui em Cerro Largo o espetáculo transformou-se numa mera caminhada, com alunos forçados a participar sob a ameça de sofrerem alguma pena caso se ausentem, e a platéia formada praticamente apenas pelos pais destes alunos. Não há nenhum sentimento de amor à pátria, civismo e tal, o que é compreensível para um país que, com exceção dos dias de Copa do Mundo, não consegue fazer com seus filhos tenham amor à sua bandeira.



Não pensem ser este um desabafo do signatário à falta de patriotismo dos brasileiro, especialmente cerrolarguenses. Sempre me considerei mais gaúcho do que brasileiro. Para mim, o Dia da Pátria não é o 7, mas sim o 20 de Setembro. Mas sou saudosista e lamento o fim de um espetáculo belo. Mas que também não faz mais sentido algum.
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