quinta-feira, 26 de junho de 2008

Sensação de impot..., digo, equipamento-dependência.

O pulso ainda pulsa (pulsa)
O pulso ainda pulsa (pulsa)
Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania
E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco


Não sou fã do Arnaldo Antunes, mas os versos de sua música Pulso registram algumas das doenças (em negrito) que podem ser adquiridas através do contato com fluidos corporais contaminados. E não estou me referindo apenas ao sêmen, mas principalmente à saliva, ao sangue, ao pus e a outras “melecas” que fazem parte do cotidiano da odontologia. Por isso a importância da adoção de medidas de assepsia num ambiente tão passível de contaminação quanto um consultório dentário.

Após a realização de um procedimento odontológico, muitos objetos acabam sendo descartados, como é o caso das luvas, máscaras, e objetos pérfuro-cortantes, como lâminas de bisturi e agulhas. Porém, a grande maioria dos instrumentos é reutilizada, como espelhos, pinças, sondas, cabos de bisturis. Mas como eles tiveram contato com a cavidade bucal de algum paciente, é necessário que passem por um processo que elimine todos os microorganismos provenientes deste contato, evitando que o próximo paciente acabe se contaminando. A este processo dá-se o nome de esterilização.

Tempos atrás, o equipamento utilizado para esterilizar o material odontológico era a estufa, que não passa de um forno que mata os microorganismos presentes nos instrumentos ao submetê-los a uma temperatura elevada por determinado período de tempo. Atualmente, há um equipamento mais eficaz, a autoclave, que consiste num tipo de panela de pressão, que além do calor, cria um ambiente cuja pressão é maior do que a atmosférica, eliminando estes organismos patogênicos. E ainda por cima, não é tão prejudicial à durabilidade dos instrumentos.

Hoje em dia, nenhum dentista trabalha sem uma autoclave. É por isso que estou desde ontem de manhã sem poder atender, pois a minha me deixou na mão.

Quase utilizei o termo “sensação de impotência” para descrever minha decepção, mas achei a expressão inapropriada e forte de mais (sai pra lá!). Mas uma situação deste tipo revela o quanto a minha profissão é dependente de fatores extra-profissionais. Só o conhecimento não nos basta.

Enquanto isso, vou atualizando meu blog...
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