terça-feira, 10 de junho de 2008

A América do Sul não é um continente sério

Perguntaram pro Herr Krause, líder dos intercambistas alemães que visitaram Cerro Largo em maio último, como que a Alemanha, após ser destruída em duas guerras, conseguiu se reerguer, e o Brasil, que nunca sofreu as agruras de um conflito militar em todo o país, vive nessa situação. Após sua explicação sobre seu país (plano Marshall, educação, indústrias, etc,), e completou dizendo que a segunda parte da pergunta (sobre o porquê do Brasil ser assim), ele não poderia responder.

Tá certo: por que o alemão tem que buscar explicações para a nossa incompetência e a nossa mediocridade?

Que nem o futebol: nesse mês está sendo realizada a Eurocopa, competição disputada por seleções do velho continente, todas extremamente bem preparadas e ávidas para conquistar o troféu Henri Delauney. Comparem com a nossa Copa América, o torneio entre seleções mais antigo do mundo: total desinteresse, países enviando seus times reservas... Por que a Eurocopa é um sucesso (de público, comercial, técnico...) e a Copa América fica relegada a um segundo plano?

O mesmo ocorre com os torneios entre clubes. Por sorte, a Libertadores ainda tem o seu valor, mas a Sulamericana...

Criada simplesmente para arrecadar dinheiro, este torneio bem que poderia ser para a Libertadores o que a Copa da UEFA é para a Champions Leage: praticamente uma segunda divisão, mas um torneio continental valorizado e bem organizado: custava a Conmebol se espelhar na UEFA e colocar suas duas competições continentais na mesma época, ambas com uma fase de grupos, onde times de diferente países se enfrentariam, e com alguns incentivos, como os melhores terceiros lugares da fase de grupos da Libertadores entrando na segunda fase da Sulamericana, o campeão desta, além de disputar a Recopa, podendo fazer um jogo contra o vencedor da Copa da UEFA e se classificando para Libertadores do ano seguinte. Algo assim.

Mas não, eles fazem de tudo para desvalorizar o torneio:

- primeiro, convidam um monte de brasileiros e argentinos (interesses econômicos óbvios)

- depois, colocam os times do mesmo país para jogarem entre si. Puxa vida, eu quero jogar contra uruguaios, chilenos, peruanos, e não contra o Atlético Paranaense, ou o Botafogo;

- terceiro: convidam, sem critério algum, times com grande torcida (olha os interesse econômicos aí, minha gente). Pior de tudo, colocam-os diretamente na segunda fase;

- ainda por cima, convidam times da América do Norte para disputarem uma competição da América do Sul. Queria ver esses mexicas disputando as eliminatórias da Copa do Mundo pela Conmebol...

Acho que o único alento será o Grenal que irá acontecer, conforme o resultado do sorteio realizado hoje. Sinceramente, preferiria um clássico mais para frente, certamente a emoção seria melhor. Mas acho que não adianta querer entender o pessoal da Conmebol. E nem pensar que algum dia as coisas serão diferentes.


Não é à toa que sua sede fica no Paraguai.


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