quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sobre os trilhos

Maldita internet! Não paro de encontrar coisas interessantes nela.


Hoje eu lia um texto no Impedimento, que me levou a outro blog sobre futebol, o Puro Futebol (que conta/contava com a colaboração do Froner do FutebolForça.com) onde vi algumas fotos da antiga estação ferroviária de Bagé, com os créditos para o site Estações Ferroviárias do Brasil.


Não sei de onde vem esse meu gosto por trens e assuntos relacionados. Somente sei que o tema me fascina. Talvez seja pelo estado de completo abandono em que foi deixada a malha ferroviária do nosso país, assim como dos países vizinhos, fruto do total descaso por parte dos governos que por décadas administraram (???) o setor. E isso já é o suficiente para acelerar o coração de um nostálgico.


Como não se emocionar com trilhos abandonados, por onde durante anos circulou a história de cidades, pessoas e indústrias? E as estações, sejam elas imponentes prédios ou singelas casinhas, quantos momentos de alegria e de tristeza não presenciaram, fosse no triste choro de mães cujos filhos iam estudar num distante internato ou num seminário, e que viam os trens partirem levando junto uma parte de suas vidas, fosse nos alegres momento de reencontro, de chegada. Locais que testemunharam tantos momentos inolvidáveis na vida das pessoas, mas que hoje estão eles próprios esquecidos pelo progresso, abandonados, depredados.


Os trens não transportavam apenas pessoas e mercadorias: levavam vidas, histórias, e também o progresso. Quantas cidades não prosperaram com a chegado dos trens, e depois que o último partiu, viram também partir o futuro? Vilas que cresceram ao redor das estações, algumas conseguindo até a emancipação, e que hoje estão tão abandonadas quanto os ramais que a atravessavam.


Por esta razão, o site foi um achado para mim, pois além de contar a história de diversas ferrovias brasileiras, é ricamente ilustrado com antigas imagens de composições, pátios, plataformas de embarque, dentre tantas outras.


Vou perder um bom tempo com isso. Mas como é bom desperdiçar nosso escasso tempo com aquilo do qual gostamos.


Mas talvez o motivo nem seja nostalgia coisa nenhuma. Acho muito mais provável que seja um trauma por não ter ganho um Ferrorama quando criança.
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