quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Súper

Dias atrás estava passeando em Porto Alegre, visitando meu irmão, quando ele me convidou para ir ao shopping. Aceitei por educação. Não vejo graça alguma em caminhar por corredores atrolhados de gente, vendo roupas, tv’s, hamburgers e calçados. Pra mim é algo sem sentido, e sem graça também. Se quero comprar algo, vou direto a uma loja que me oferece tal produto, olho, vejo o preço e se me agradar e não for muito caro, compro. E vou embora.

Sei que sou um dos poucos que pensa assim e que não vêem o shopping como um programa de lazer, mas compreendo a atração que estas pessoas têm por um local assim, pois sinto o mesmo por um ambiente se não parecido ao menos com algumas semelhanças: supermercados, ou mais precisamente hipermercados.

Tenho um fascínio por este tipo de estabelecimento. É normal entrar numa loja, quanto maior melhor, e caminhar ao léu pelas gôndolas, ver os azeites, os vinhos, as bolachas. Paro diante da prateleira de erva-mate e olho pacote por pacote, marca por marca, assim como na do arroz, temperos, cereais...

E os queijos? Não vejo o tempo passar diante de camembers, bries, gorgonzolas, parmezões, goudas, grana padanos.

Acredito que este meu gosto seja pelo fato de que me criei freqüentando os pequenos mercados da minha cidade, e para a minha família a oportunidade de fazer compras em estabelecimentos maiores, em cidades também maiores, sempre era aproveitada. E eu me surpreendia com a variedade e quantidade de produto que encontrava nestas lojas, em oposição ao que eu tinha por aqui.

É por isso que na minha época de faculdade, caminhávamos todos os sábados em torno de 15 minutos para irmos até o Zaffari da Ipiranga, meu irmão eu, onde fazíamos nosso rancho. Na volta, percorríamos a Ipiranga carregando inúmeras sacolas plásticas. Isso quando não pegávamos o Ipiranga/PUC e íamos até o Carrefour da Bento.

Tudo mudou, e para melhor, quando o Bourbon Ipiranga foi inaugurado, a 50 metros do ap. Além de não precisarmos mais ver o hospital São Pedro e o Presídio Central da nossa sacada, tínhamos ao lado de casa um hipermercado à disposição, aberto das 8:00 à meia-noite.

Quantas tardes gastei percorrendo aqueles corredores, mesmo sem nada comprar. Era para mim tanto um lazer como uma espécie de terapia.

Na última quinta voltava Olímpico (gosto de dar uma boa caminhada pós-futebol, até o quanto minhas pernas agüentam, normalmente até o apartamento - quero ver como vou manter meu hábito quando a arena for no Humaitá) quando me deparei com o Zaffari Ipiranga, meu companheiro de tantos sábados. Resolvi entrar, como um nostálgico como eu resistiria? Percorri novamente seus corredores, mas infelizmente não tive aquela gostosa sensação de reminiscências, o que me frustrou profundamente. O mercado estava muito alterado desde a última vez que eu o visitara, provavelmente uns 9 anos atrás. Não tive aquela alegre sensação de reencontro, haviam mudado o meu mercado. Saí logo de lá, sem comprar nada, e nem comer uma mísera uva.

Por sorte, as minhas belas lembranças não podem ser alteradas, por mais estranhas que estas sejam.
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