domingo, 19 de outubro de 2008

“O que tu me diz, Germano?”

Vá ao Google e digite uma palavra, uma qualquer. Busque! Verá que existem milhares, quiçá milhões de ocorrências de tal verberte. Isto apenas levando em consideração o mundo virtual (ou até onde os tentáculos do Google alcançam, o que dá no mesmo).

Um dos principais problemas do mundo atual é o excesso de informações. Claro que também tem as guerras, a fome, a poluição, mas não quero escrever sobre isso agora. Aliás, e nem sobre o excesso de informação, isso receberá um texto inédito e exclusivo mais adiante. Estou apenas usando o tema como introdução

Não nos basta apenas termos uma noção dos tantos assuntos que surgem diariamente, temos que ter uma opinião sobre eles. O mundo exige que estejamos a par das eleições americanas, qual a situação do grupo de pessoas mantidas em cativeiro por um maluco num apartamento qualquer, quem é o atual namorado da Grazi, o desenrolar da CPI do momento no Congresso, o novo cd do Skank. E, como já escrevi, não nos basta saber do que se trata, temos que ter uma opinião formada.

E quando é algo que se relaciona com a nossa vida ou profissão, daí não nos basta apenas opinar, temos que ter fortes convicções. O mercado de trabalho nos exige tamanho preparo. Tenho que estar pronto para responder qualquer indagação sobre a nova escova da Oral B e do novo creme dental da Colgate, e não basta argumentar que pasta de dente é quase tudo a mesma coisa, e que os ângulos do cabo e das cerdas não têm tanta relevância numa boa escovação quanto o capricho de quem empunha a escova. Não basta, o paciente quer ouvir que tal escova é melhor, tal creme é melhor e pronto.

E nada pior para um profissional do que demonstrar falta de conhecimento na sua área de atuação.

Passei por esta situação embaraçosa ontem. Duas pessoas me ligaram, pedindo minha opinião, na condição de Cônsul do Grêmio, a respeito das eleições para a presidência do clube. E eu, vergonhosamente, não estava apto para responder o que me fora solicitado. Talvez por conhecer pouco a respeito dos candidatos, ou pelo fato da distância não permitir minha participação no pleito, acontece que não procurei me informar muito sobre tais eleições, apesar de diariamente receber e-mails sobre o assunto, sempre com críticas de um lado a respeito de quem apoiava o outro. E hoje vejo que isso foi um erro. Desapontei duas pessoas que se dignaram a fazer ligações de longa distância, de celular para celular, pois tinham em mente que eu poderia esclarecer suas dúvidas e fornecer-lhes uma opinião abalizada. Afinal, é o que se espera de um cônsul. Mas fui omisso. Ou pior, despreparado. E o mundo de hoje não tolera o despreparo.
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