terça-feira, 21 de outubro de 2008

A internauta siberiana.

Uma das primeiras coisas que fiz após criar este blog foi instalar um contador de acessos. Dia após dia, verificava quantos computadores tinham acessado a página na véspera, além de mim. Assim como o número, podia ver num mapa-mundi de onde eram “as visitas”. Logo nos primeiros dias, quando a média de acessos era de 1 a 2 diários, vi que havia uma bolinha vermelha num local da Sibéria, próximo à fronteira com o Cazaquistão, indicando que entre 1 e 9 pessoas daquela área viram o que eu escrevera.

Mas o que um siberiano faria vendo mais um blog genérico entre milhões de outros, de um idioma que lhe é, teoricamente, estranho?

O mais sensato seria pensar ser alguém do Google responsável por verificar se eu estava cumprindo o termo de compromisso que afirmei ter lido e com ele concordado. Ou alguma brincadeira do contador de acessos, justamente para estimular minha imaginação.

Mas isso não teria muita graça, prefiro me perder nos meus devaneios. Prefiro pensar que foi um internauta, ou melhor, umA internauta russa, que numa noite de solidão em meio ao rigoroso frio siberiano, gastava seu tempo navegando pela internet.

Fico imaginando o semblante triste de Natasha, seus belos olhos azuis ora fitando a neve acumulada na janela, ora a tela de seu computador. O rubor de seu rosto e suas longas tranças loiras refletidos no fundo branco de algum site. Sua mão delicada a guiar o mouse. O que a deixou tão triste? Por que Natasha não sorri? Como ela chegou até mim? Por que busca consolo, ou distração, num blog de alguém distante e incompreensível?

Nunca saberei as respostas. Nem se ela novamente entrou no meu blog, ou se ainda está triste. Pobre Natasha. Talvez ficasse feliz ao saber que fora uma das pioneiras a ver esta página, que ontem atingiu a marca de 1000 acessos.

É evidente que isto me alegra. Afinal, qual blogueiro não quer ser lido. Mas por outro lado, isso me preocupa imensamente. Se antes podia ser mais descompromissado, crítico e preconceituoso, hoje já tenho que me auto-censurar. Não posso mais falar mal de tal candidato a prefeito e tenho até medo de dizer que vou à missa todos os domingo, que sou contra o casamento gay e o aborto, que gosto de Bon Jovi e programas de culinária. A repercussão poderia ser muito negativa.

Estou pensando seriamente em criar um outro blog, algo como ADHD Descontrolado, com acesso estritamente restrito, onde poderia livremente expor meus pensamentos e desabafar, sem me preocupar em ofender, desagradar ou insultar ninguém. Um blog com poucos ou nenhum leitor, talvez no máximo a Natasha. Ela, de algum modo, iria me compreender.
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