quinta-feira, 10 de março de 2011

Jejuns

Numa sociedade em que a busca pelo prazer é cada vez mais estimulada pode parecer uma grande idiotice que alguém, por vontade própria, abra mão de coisas que lhe proporcionem prazer e satisfação.

Quem não gosta de comer? Tirando dois ou três enfastiados, todos têm alguma(s) comida(s) cujo consumo lhes causa satisfação. É inegável e até fisiologicamente explicável que a ingestão de alimentos nos proporciona um imenso bem-estar, tanto físico quanto psicológico. 

Sendo assim, existe nexo no fato da pessoa dispensar este bem-estar?

Não quero me ater às restrições alimentarem necessárias para se reestabelecer as condições ideais de saúde, como é o caso dos obesos, diabéticos, hipertensos, fenilcetunúricos, etc. Estou me referindo àqueles que praticam o jejum. 

A Igreja recomenda que se faça jejum em diversas oportunidades, mas principalmente nos dias que marcam o início e o fim da Quaresma, Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa respectivamente. Muito mais do que um simples sacrifício, o jejum é um exercício de disciplina e auto-controle, no qual pomos à prova nossa capacidade de resistir aos mais variados desejos. Afinal, se consigo me abster de um bife gordo e mal passado é sinal que consigo fazer frente a instintos básicos e a prazeres tão imediatos quanto inconsequentes.

Existe uma intrepretação (equivocada) de que este jejum seria apenas abster-se da ingestão de carne de animais de sangue quente, ficando fora desta lista os peixes, cujo consumo estaria liberado (nunca pensei nisso, mas por esta lógica termo-sanguínea, jacaré e rã também estariam). Mas comer uma bacalhoada, um salmão, um risoto de camarão, isto lá é um sacrifício? Não é algo que foge da proposta, das circunstâncias?

O jejum não precisa ser uma "greve de fome". Uma refeição frugal ao meio-dia e uma janta bem simples já bastam. Além do alimentar, outros tipos de jujum também podem ser feitos: a pessoa pode se abster do carro, por exemplo. Nesta quarta, eu optei por ficar um dia sem internet, e até que não foi tão difícil assim.

É tudo uma questão de disciplina.
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