terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cabo Polonio: muito melhor do que Punta

Nem tudo acontece como a gente quer (2006 é o maior exemplo disto). Vejam bem: eu, que adoro viajar, fui obrigado a planejar um período de férias, assim por dizer, bem mais modesto. Inúmeros motivos, desde financeiros até conjugais, fizeram com que eu assim procedesse.

Mas tudo bem. Já fiquei 5 anos sem férias, não vou me estressar por pouca coisa.

E não é que nem o pouco que planejei deu certo. E de quebra, ainda consegui pisar em um prego enferrujado…

E cá estou, no sofá de casa, com o pé levantado, curtindo um chimarrão e um ar-condicionado. Acho que foi a primeira vez desde que comecei a trabalhar que fiquei em Cerro Largo num dia da semana normal e não fui ao meu consultório. E o meu pé nem seria impecílio, estou aqui justamente para deixar de pensar um pouco no serviço. Em todo caso estou de férias, e só volto na segunda que vem.

E se não são as férias dos meus sonhos, posso aproveitar para relembrar alguns passeio que me inspiram os mais belos sentimentos de saudades. E como eu tinha me proposto a escrever bastante durante este período, eis aí a oportunidade de movimentar um pouco o ADHD.

E comecemos agora:

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Um dia quero fazer uma lista dos 50 motivos para conhecer o Uruguai. Claro que para isso terei que voltar ao país mais umas 2 ou 3 vezes, e não tão somente percorrer os free-shops de Rivera.
Mas com aquilo que eu conheço do país, eu bem que poderia listar uns 30 ítens. E pasmem: Punta del Este não estaria na minha relação.

Como o pessoal que aparece nas colunas sociais também não lê o ADHD, sei que não receberei crítica alguma por este “absurdo”. Mas convenhamos: a pequena e bela Banda Oriental dispõem de atrações muito mais bonitas e interessantes do que esta Atlântida com grife (ou com glamour, como quer a chata da Martha Medeiros). É provável que nem 5% dos que vão ao balneário bancar o playboy e tirar fotos em frente ao Konrad conhecem uma das jóias mais preciosas daquele país:

Cabo Polonio

O caminho é pela mesma Ruta 9 que liga Punta a Chuí. Somente é necessário pegar uma estrada vicinal em direção ao litoral e estacionar o carro. Porque não se chega a esta praia dirigindo, aliás nem se conseguiria atravessar as dunas com um automóvel qualquer. Somente “de a pé”, a cavalo, ou em veículos 4x4 que fazem a travessia.

Para quem já está torcendo o nariz, paciência. Também pensei 7 vezes se valeria a pena uma “indiada” dessas. Vale sim.

A cidade, ou melhor, o povoado é uma pequena vila de pescadores que graças às difíceis condições de acesso, manteve-se alheia ao passar do tempo. Luz elétrica só para quem tem gerador. Mas quem está lá nem se dá pela falta disso.

Num primeiro momento, o aspecto meio riponga pode assuntar, ainda mais pelas bancas de artesanato na praça (?) onde os 4x4 descarregam seus passageiros. Mas ao percorrer as ruas, ou melhor, os caminho de areia do povoado começa-se a perceber os encantos do lugar. São várias casinhas simples, dispostas sem ordem alguma, o que confere à paisagem um aspecto ainda mais pitoresco.



Há algumas pousadas e restaurantes, além de um comércio bem rudimentar. Provei um excelente salgado, recém tirado do forno de uma padaria. No local funciona um farol e também podem ser vistos dezenas de leões marinhos, que se concentram num paredão rochoso, devidamente isolado dos visitantes, e que são uma das principais atrações do local. Mas nas praias é possível ver um ou outro desses animais. pelo tamanho dos dentes dos bichinho, talvez seja prudente manter uma certa distância deles.

Se você está em busca de compras, shopping centers, conforto e glamour, não vá a Cabo Polonio. Agora quem gosta de simplicidade, belas paisagens e da sensação de tranquilidade que só um lugar isolado assim pode nos proporcionar, eis então minha dica.

Fiquei poucas horas lá, e para quem dispõem de pouco tempo, uma tarde é mais do que suficiente. Agora, se você também não conseguir ficar imune ao encanto do lugar, vai querer voltar, assim como eu quero, para aproveitar a calma e a beleza tão difíceis de serem encontradas.


Ah, não é só o “leiáuti” do blog que mudou. A antiga política de não colocar fotos nas quais meu rosto aparece para que as pessoas gostassem do blog pelo seu conteúdo escrito e não pela minha beleza foi abolida. E as imagens são todas minhas, ou como diriam por aí, de “arquivo pessoal”.
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