sábado, 19 de fevereiro de 2011

Mestre Seagal

Isso já faz muito tempo, mas houve uma época em que uma das diversões  preferidas dos adolescentes era alugar um filme (uma fita VHS, é óbvio) para assistir com os amigos. Com a minha turma não era diferente, fizemos isso inúmeras vezes. Lembrem-se de que naquela época não existia Playstation, jogo em rede, nem rede existia direito.

A locadora era ponto de encontro, e de divergências também. Afinal, enquanto que meus amigos queriam locar aquelas comédias idiotas, tipo "O Paizão" e "Vida de Solteiro" (é ou não é Felipe? Por acaso minto, Klé?), o Germano aqui já preferia algo mais profundo, como os filmes do Steven Seagal.

Confesso que não lembro de nenhum, NENHUM nome de filme que esse cara fez (não tinha um com algo a ver com "Nico"?). Mas assumo: eu gostava sim e assisti muitos. Os enredos eram sempre os mesmo, tão complexos como as regras do par-ou-ímpar: um cara fortão enfrentava um bando de marginais, vencendo-os um-por-um, sempre com muita porrada e braços quebrados. Nem lembro se tinha mocinha no filme.

O engraçado é que eu nunca pratiquei nenhum tipo de arte marcial e o mais perto que eu cheguei de uma briga de rua foi no SNES. Tanto é que tirando algum filme do Van Damme que eu acho zapeando, nunca  paro para assistir nenhum tipo de luta.

É por isso que eu só fiquei sabendo do tal de UFC 126 alguns dias depois da luta ter terminado. Não vou explicar com detalhes, mas era o Vitor Belfort, símbolo do carioca-brigador-cara-de-mau-bad-boy-jiu-jitsu-orelha-amassada, contra um tal de Anderson Silva, que eu nem sabia que existia. Resumindo a peleja, depois de uns três minutos em que os lutadores ficaram só se encarando, uns golpes de cada lado e de repente...

Anderson Silva "gruda-lhe um coice na fuça" do Belfort, derrubando o marrento e acabando com a luta. Procurem no YouTube, é divertido de ver. Claro que a luta não foi  tão agitada como se vê nos filme, mas justamente por não se tratar de um filme.

Mas tão legal quando a luta foi descobrir este outro vídeo:



É ele mesmo, o próprio Steven Seagal dando umas dicas pro Anderson Silva. Confesso que fiquei emocionado ao ver esta cena. Não emocionado no sentido lacrimejante da coisa, mas sim no sentido de 'pô, que legal'. Impossível não recordar as imagens do Senhor Miyagi colocando Daniel San para pintar a cerca  e polir automóveis, e de Obi-Wan Kenobi transmitindo os ensinamentos jedi para  Luke Skywalker: mestre ensinando parte de seu conhecimento a um pupilo, cena clássica em Hollywood mas sempre atual.

Parece que Anderson Silva aprendeu direitinho. Claro que eu preferiria que ele tivesse feito aquele famoso golpe quebrador de braços que seu professor tanto praticou em frente às câmeras. Aliás, ele próprio estava lá, inclusive entrou na arena junto com o aluno, usando um muito estranho óculos amarelo. Deve ter gostado do que viu, assim como eu gostei.

........

Chamou-me a atenção o fato de que no calção do Belfort podia-se ler a palavra Jesus, que também aparecia no banner com seus patrocínios.

Posso estar desinformado, mas nunca ouvi falar que Ele utilize tais médotos de evangelização. É muito mais provável que se trate de mais uma manifestação desse neo-pentecostalismo caricato que está  se impregnando pelo Brasil. Coisa bem idiota, se alguém quer fazer "propaganda" pra Jesus, que o faça sendo um exemplo de vida cristã.
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