quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cruzeiro, São José e outros times desnecessários.

Eram pouco mais de 20 pessoas, além de outros tantos que iriam de carro. Reuniram-se no tradicional ponto de encontro e de lá o ônibus partiu com 30 minutos de atraso (culpa do Cônsul). Hora e meia percorrendo 110 km de estrada separavam estes torcedores de um simples jogo de futebol. Pouco importava se naquela quarta-feira eles não dormiriam antes das 2 da manhã. Para a imensa maioria seria a única oportunidade em 2, talvez 3 anos que teriam para ver de perto o time do coração. E isso não somente para meus conterrâneos, pois vi pessoas de cidades ainda mais distantes que viajaram para verem este jogo.

É claro que para um porto-alegrense pode ser difícil de entender esse tipo de emoção. Afinal, além de morar perto do estádio de seu time, pode acompanhá-lo nos jogos contra as várias equipes da capital e cercanias. As partidas contra Cruzeiro, São José, Porto Alegre estão a um, no máximo dois vales-transporte de distância. Com um bilhete integração do Trensurb dá pra colocar a Ulbra nesse bolo (ou sei lá qual é o nome que esse time utiliza atualmente).

Não se discute a bizarrice de times como Porto Alegre e Ulbra, mas temos que convir que além do fato da localização destes facilitar em muito a logística tanto Federação (analisando a parte administrativa, arbitragem, cobertura da imprensa, etc.), quanto da própria dupla Grenal, agradam em cheio aos torcedores da capital. Aqueles cerrolarguenses podem esperar até 2013 para verem seu time jogar novamente em Ijuí,  isso se o São Luiz não for rebaixado até lá, é claro.

É principalmente por tal motivo que eu repudio estes dois clubes, aliás, tão desnecessários para o futebol gaúcho quanto eles são os outros dois nanicos da capital: o São José e o Cruzeiro. Para a imensa maioria dos gaúchos, esses times não têm importância nenhuma e ninguém sentiria falta se amanhã eles fechassem as portas.

Ouço pessoas gritando: "mas são times tradicionais"! Tradicionais o quê? Que tradição tem o São José? É um clube social para se jogar bocha e fazer churrasco em seus quiosques. Se não fosse pela mão daquele astuto vendedor de CDs não-piratas já teria fechado seu departamento de futebol há muito tempo, sem deixar saudades. Vocês conhecem algum torcedor do São José?



Recorde de público no estádio Passo d'Areia.

E o Cruzeiro? "Foi campeão Gaúcho em 29, pô!, tem tradição sim senhor, tem história!" Sim, mas o Americano foi campeão em 28 e o Renner em 54. Não existem mais e hoje ninguém lamenta o sumiço deles. Tradição? História? A Prússia tinha tudo isso e cadê? O próprio Cruzeiro ficou mais de 20 anos sumido e ninguém sentia falta dele. Dizem que o clube tem 18 torcedores, mas citem um, SOMENTE UM torcedor além do Scliar. O São José nem ao menos um torcedor tem.
(editado em 28/12/2011 - três dias depois da publicação deste texto, o único torcedor do Cruzeiro faleceu. Agora as torcidas dos dois times desnecessário têm o mesmo tamanho.)

Mas eles estão aí, inclusive nas semi-finais da Taça Piratini, para a alegria da federação e dos empresários que bancam seus jogadores, podendo acompanhá-los de perto sem abrir mão de bons restaurantes e dos shopping centers, apesar de deixar órfãos de futebol praticamente a totalidade do interior, que apenas esporadicamente pode acompanhar de perto um jogo.

Imaginem se no lugar do Cruzeiro estivesse o São Paulo? O time tem feitos belas campanhas na Segundona, tem uma grande torcida e um belo estádio. O rival Rio Grande não iria querer ficar pra trás e certamente faria o possível para também subir. Talvez até o Riograndense saísse do ostracismo.

Que tal trocar o São José por algum time de Bagé ou de Livramento? Qual seria a alegria do sofrido pessoal da fronteira... Nem Obirici derramaria suas lágrimas pela ausência do Zequinha.

Nas vagas hoje ocupadas por Porto Alegre e Canoas, times que não levam ninguém aos estádios (bem que a média de público do mandante poderia ser critério para definir os rebaixados), como seria bom ver equipes da região das Missões, do Alto Uruguai ou do Planalto Central. Não teve um candidato a governador que prometeu que nenhum gaúcho andaria mais de 1 km para ir até um posto de saúde? Que ninguém percorra mais de 25 léguas para ver um jogo do Gauchão.

Continuando assim, o que ainda falta acontecer para termos um legítimo Campeonato Metropolitano? O Cerâmica ser promovido? Reativarem o Força e Luz?

Recolha-se novamente à sua insignificância, São José! Desapareça Cruzeiro, desta vez para sempre! Fora com todos esses times insignificantes, prescindíveis e desnecessários que privam os torcedores do interior do Gauchão!


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