quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O maior fiasco da história do futebol


Nos últimos 4 anos, o Rotary Club de Cerro Largo teve 4 dos candidatos que indicou contemplados com intercâmbios no exterior, algo que nos orgulha muito. Mas esta excelência não é mérito do presidente da comissão responsável por este setor no clube (este signatário), mas sim pelo fato de sempre indicarmos candidatos competentes. Se escolhermos um Pedro Bó qualquer para participar da seleção, como aquele que está atravessando a rua ali na frente, além deste ser reprovado, passaremos por grande constrangimento, pois é o nosso clube que estará lá sendo representado por esta pessoa. Indicando bons candidatos, além de mostrarmos a nossa preocupação e a seriedade com a qual tratamos o programa, aumentamos consideravalmente as chances de termos alguém selecionado. É o nosso nome que está em jogo, assim como o da nossa cidade.


Por isso que eu não concordo com aqueles que tentam encontrar um culpado interno para o fracasso do inter em Abu Dhabi, quando protagonizou o maior fiasco da história do futebol mundial ao ser derrotado por aquele time da África que ninguém conhece, acho que o nome é Zambezi, ou Mezzenga, algo assim, algum time lá do Zaire. Nunca antes na história deste esporte uma equipe sulamericana deixara de disputar o título mundial de clubes. Em condições normais e pelo atual progresso do futebol nos outros continentes, isso não poderia acontecer pelos próximos 200, quiçá 300 anos.


Mas aconteceu, aconteceu sim senhores. E quem seria o culpado? O técnico Celso Roth? Os jogadores? Os dirigentes? A imprensa?


Nenhum deles.


O grande culpado, no caso culpada,ou a responsável por este vexame mora no Paraguai e responde pelo nome de Confederación Sudamericana de Fútbol, mas podem chamá-la de Conmebol que ela entende.


Mas que diabos a Conmebol tem a ver com a incompetência colorada?, pergunta-me o transeunte já no outro lado da rua. Eu respondo: foi ela quem indicou uma equipe incompetente, despreparada e incapaz de enfrentrar um desafio de tamanha envergadura. A UEFA já havia cometido tal erro algumas vezes, em 71, 73, 77, 79 e 93, quando foi representado por times que não haviam sido campeões europeus (Panathinaikos, Juventus, Borussia M’gladbach, Malmö e Milan, respectivamente) e que obviamente foram derrotados pelos adversários sulamericanos.


Mas o inter venceu a Libertadores, pô!, grita o cara, já lá na esquina. E eu respondo: BINGO!


Eis o grande problema: a Conmebol não está sendo criteriosa em sua seleção. Para ser campeão da América, o time já não precisa mais passar pelas provações de outrora, que forjavam não só guerreiros como também o caráter. Estádios minúsculos em bairros afastados, arquibancadas de madeira à distância de um braço do gramado, alambrados tremendo na cadência de milhares de mãos calejadas, pilhas, garrafas d’água, pedras, gritos, impropérios, ameaças, frio, gramados esburacados, barro... Os 11 jogadores do outro time eram apenas mais um dos obstáculos a serem vencidos. Quem passasse por tudo isso estava pronto para enfrentar qualquer elenco de estrelas européias. Podiam até perder, mas venderiam caro a derrota.


Mas o cenário mudou: por uma questão mercadológica, que do ponto de vista financeiro é perfeitamente compreensível, e que atende aos interesses de anunciantes e imprensa, a competição passou a priorizar o espetáculo. Arquibancadas confortáveis e acolhedoras, gramados impecáveis, por vezes até sintéticos, arbitragens rigorosas para com toda e qualquer virilidade, dezenas de câmeras captando todos os detalhes do jogo, tudo possibilitando que o time com melhor futebol triunfe e possa comemorar sob uma chuva de prata. Os jogadores de agora, sempre barbeados e com cabelos arrumados, são hábeis com a bola e com os microfones, treinados para se destacarem nas arenas e nos comerciais, batem falta com a mesma habilidade em que fazem o check in em um resort. Mas será que este perfil de atleta está preparado para enfrentar as vicissitudes de um esporte onde o esforço, a dedicação e a entrega podem compensar a falta de habilidade? Podem ser grandes jogadores, muitas vezes até craques, mas terão sido testados adequadamente para este tipo de enfrentamento?


Com frequência se houvem relatos de exageros nos treinamentos de militares ou de tropas de elite, como o BOPE. Acontece que eles apenas estão sendo preparados para situações extremas. Ou vocês acham que os fallschirmjäger tornaram-se os melhores soldados do mundo comendo chucrute e tomando cerveja? O modelo atual da Libertadores da América pode até premiar o melhor elenco, mas nem sempre seleciona o mais preparado para batalhas decisivas. Ou a Conmebol muda a Libertadores, aprimorando a escolha da equipe que representará o continente na competição mundial (o que eu acho improvável que ocorra) ou quando novamente um time despreparado conquiste a América, que arbitrariamente se escolha uma outra equipe, que seja o Cobreloa, o Chacarita, o Danúbio, ou outra qualquer com mais culhões.


Duvido que protagonizem tamanho fiasco como fizeram os colorados ou ainda que percam para o Mambembe.


- É Mazembe! E é do Congo – ouço a voz do cara, já bem distante.


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