sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Antares

Esta é uma regra que eu criei e sigo à risca: uma ida à Argentina nunca estará completa se eu não sentar em um bar (ou restaurante), forçar o sotaque e pedir "¡Una Quilmes litro, por favor!".




Junto com o tango, Maradona, o Ford Falcon e a empáfia, a Quilmes é um dos maiores símbolos dos hermanos, praticamente um sinônimo para cerveja. Além de usar em seus rótulo as mesmas cores da bandeira nacional criado pelo General Belgrano, historicamente dominou o mercado cervejeiro local.



Até meados da década de 80, as marcas de seu portfólio (a minha preferida é a Imperial, uma espécia de "Quilmes Extra") detinham uma espécie de oligopólio cervejeiro. Com a entrada de outra marcas, em especial da Brahma e da Budweiser, a participação caiu, mas em 2006 ainda apresentava espantosos 75% de participação no mercado local. Naquele ano, a Quinsa (Quilmes Industrial S.A.), passou a ter 91% de seu capital controlado pela então AmBev (que já detinha 52% desde 2002).


Hoje é bastante comum encontrar garrafas de Quilmes nos mercados de Porto Alegre, São Paulo e, acredito eu, em outras praças brasileiras.

Isso hoje, porque antigamente não era assim, e para tomá-la somente atravessando a fronteira. Era algo exclusivo, assim como as sugestivas garrafas de litro (na verdade, 970 ml), só tinha por lá. É este o motivo de ainda manter o ritual citado no começo do texto, e talvez sejam estas lembranças do tempo em que a globalização cultural ainda não era tão marcante que fazem com que eu goste bastante da referida cerveja, mesmo após ter aprimorado em muito o meu paladar cervejeiro nos últimos tempos, e desenvolvido certa repulsa à maioria das cervejas produzidas em escala comercial. Deve ser o sabor da nostalgia.

Na verdade, eu quero escrever sobre outra cerveja castelhana, mas como é impossível falar de cerveja argentina sem mencionar a Quilmes...

O que eu quero mesmo é escrever sobre a marca que iniciou uma revolução no mercado cervejeiro no país de Evita, a Antares.



Fundada em Mar del Plata em 1998, a empresa produz cervejas diferenciadas e de excelente qualidade, a saber: Kölsch, Scotch, Porter, Cream Stout, Honey Beer, Barley Wine e Imperial Stout. O primeiro contato gustativo que eu tive com a marca foi com algumas garrafas que meu irmão trouxe-me de Buenos Aires.

Em minha viagem de férias, quando descobri que em Mendoza havia um bar da cervejaria, tratei logo de descobrir e conhecer o local. Para minha felicidade, eles dispunham de um sistema de degustação (pago, é óbvio), onde é possível experimentar em pequenos copos todas as variedades de cerveja produzidas pela empresa.




Fica difícil escolher uma preferida, mas o trio black (Porter, Cream Stout e Imperial Stout) deixou muitas saudades. Confesso que achei meio que um contracenso, mas em plena capital argentina do vinho as melhores bebidas que consumi foram cervejas. E que cervejas... Além destas, a empresa costuma desenvolver outros tipos de cerveja, sempre com produção limitada, como foi o caso da "Antares X años", uma ale com leveduras belgas e lúpulo patagônio, vendida para comemorar o décimo aniversário da cervejaria. Uma das garrafas, a de número 2166, está na minha adega, esperando o momento propício para ser apreciada.


Foi a Antares quem abriu as portas deste mercado, e hoje é possível encontrar diversas marcas de cervejas ditas "especiais" nos supermercados argentinos, como Cardos, Otro Mundo, Viejo Munich, Barba Roja, Bolsón, algumas muito boas, outra nem tanto, mas em prateleira que até tempos atrás apenas era possível encontrar um único estilo, a variedade de hoje em dia é uma excelente notícia.

Mas isso não significa que deixei minha Quilmes de lado: ela tem um lugar especial no meu coração nostálgico, seja na costanera, no peatonal...








Fotos: arquivo pessoal
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