sexta-feira, 8 de abril de 2011

A voz que ninguém quer ouvir

Estava tudo programado: atenderia meu último paciente, sairia do consultório pelas 19:10, daria uma rápida caminhada e estaria em casa para ver o início do jogo do Grêmio. Como no mundo real as coisas nem sempre acontecem como a gente gostaria, e como fiz meus cálculos sem margem de erro, um pequeno inconveniente me reteve em meu trabalho por mais um tempinho. Saí quando o ponteiro dos minutos já iniciava sua subida.
Caminhando apressado, vejo um conhecido no outro lado da rua, gremista também, sentado com um radinho de pilha. Pegunto-lhe coloquialmente:
- Já 'tamo' ganhando'.
Ele, com uma expressão de desconforto, responde:
- Não sei, não tão passando.
Na hora lembro-me do que ouvira há pouco na Gaúcha: as rádios não transmitiriam o primeiro tempo de jogo por causa da Voz do Brasil.
Por que essa arbitrariedade? O governo já gasta bilhões com publicidade, por que obrigar as rádios a transmitir este programa que há muito tempo perdeu a razão de ser e que só desperta aversão? Em todas minhas andanças (colégio, faculdade, pós-graduação, viagens) nunca soube de ninguém que gostasse de tal programa.
Quantas pessoas ficaram sem seu futebol ontem à noite por causa desta propaganda institucional obrigatória?
Acabem com essa droga de Voz do Brasil de uma vez por todas!
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