terça-feira, 24 de junho de 2014

Rememorando Copas

1982 - Como então tinha apenas 3 anos, não posso ter memórias da Copa na Espanha, mas tenho lembranças: dois bonequinhos citriformes(?) do mascote, o Naranjito.

1986 - Por ser minha primeira Copa e sendo tudo novidade, talvez seja aquela da qual mais guardo recordações de detalhes. Uma das primeiras foi a tabelinha dos jogos, brinde dos postos Atlantic. As tabelas,  muito comuns então, continham informações sobre os grupos, os horários e locais de partidas e espaço para apontar os resultados. Esta trazia junto uma folha com várias bandeirinhas dos países participantes, que deveriam ser recortadas e coladas nos espaços das fases seguintes, conforme as seleções iam avançando. Através dela que tive conhecimento de cidades mexicanas como Guadalajara, Toluca, León e QUERÉTARO, que até hoje não saberia indicar no mapa onde fica. Eu também tinha uma camiseta com uma estampa emborrachada do mascote, que "buzinava" ao ser pressionado. Mas não me recordo se ela também fazia parte da campanha publicitária da Atlantic ou não.
Outra lembrança são as figurinhas: os chicletes Ping Pong traziam as imagens dos jogadores (as figurinhas de seleções menores, como a da Hungria, vinham com dois atletas) e das bandeiras dos países participantes. Como eu não tinha o álbum, colava-as num caderno.

O craque que fez falta na seleção brasileira
Havia também uma coleção de figurinhas que vinham nos salgadinhos Elma Chips. Nelas apareciam as bandeiras das seleções e personagens da turma do Snoopy. Para mim, foi difícil de entender porque a Inglaterra era representada por uma bandeira branca com uma cruz (de São Jorge) vermelha e não pela Union Jack.




Recordo também que os alunos do Medianeira eram liberados no meio da tarde para verem os jogos do Brasil em casa. Das transmissões lembro-me da estreia do Tira-teima na Globo, das vinhetas do Arakem e da música que a emissora fez para a Copa ("Mexe, mexe, mexe coração/vamo que vamo que essa bola vai rolar/mexe, mexe, mexe coração/tanta emoção vai ser difícil segurar"). Dos jogos guardo imagens bem vivas: o gol mal anulado da Espanha (o Tira-teima mostrou que a bola entrou), a revelação Josimar, a Dinamáquina, Zico errando pênalti, Sócrates cobrando o seu quase sem tomar distância, a bola que bateu na trave, nas costas do Carlos e entrou e a sofrida desclassificação diante da França.

"Agora vamos torcer para a Alemanha", orientou-nos sabiamente nossa mãe, sempre orgulhosa de suas origens. Como as mães costumam saber o que é melhor para os filhos, sigo o seu conselho até hoje.

1990 - recordo que havia um clima bem hostil à seleção e ao seu treinador, tanto por parte de imprensa quanto por parte dos torcedores. Parece que fui contagiado pois não nutria simpatia alguma por aquele grupo, mesmo que hoje não consiga encontrar alguma explicação racional para isso. Tenho lembranças bem menos vivas, a propaganda do Fiat Uno com o Lazaroni, a zebra no jogo inicial, um espalhafatoso Higuita, sempre jogando adiantado, um bom goleiro costariquenho chamado Conejo. Até a música da Globo eu achei bem inferior à anterior ("Papa essa, Brasil, papa essa Brasil/vai nesse bola/que quem tem bola vai a Roma").  Ah, e a mais bela camisa de uma seleção em toda a história da humanidade.



A Elma Chips lançou mais uma vez suas figurinhas, mas desta vez as bandeiras eram acompanhadas por figuras caracterizadas de modo estereotipado. 


Lembro também que a tabelinha que eu consegui era bem pequena, acho que era da Caixa, e com ela tomei conhecimento da existência de cidades como Cagliari, Bari e Palermo.  Fiquei muito feliz com o resultado final, apesar da minha torcida ter sido mesmo para Camarões. Anos mais tarde consegui alguns selos daquela Copa, ganhei de uma freira de uma congregação italiana, que era diretora do colégio onde estudei em 1993. Eles estampavam as federações participantes e os estádios.


1994 - Talvez por não ser mais tão novidade, guardo poucos detalhes extra-campo daquela Copa, e acho que não colecionei nada relacionado ao evento. Nem lembro da música da Globo, talvez até fosse o primeiro ano da genérica "eu sei que vou...". Pela primeira vez soube que alguém que eu conhecia, um conterrâneo, fora ver uma Copa ao vivo. Apesar de também contestada, a seleção que foi aos Estados Unidos tinha algo que me impelia a torcer por ela. Pela minha idade, lembro de muitos jogos e comemorei bastante o título.

1998 - Acompanhei praticamente todos os jogos, pois a UFRGS estava em greve. As aulas recomeçaram poucos dias antes da final. Um Zagallo prepotente, arrogante e costumeiramente equivocado afastou minha torcida. Vi a decisão em Porto Alegre, junto de colegas de faculdade, um quinta coluna infiltrado. Recordo ruborizado de vergonha que até pintei o rosto de verde e amarelo. Uma boa lembrança desta Copa foram as belas reportagens que o Armando Nogueira fez sobre a França e que iam ao ar na Band. Foi a última Copa onde as tabelinhas tiveram sua utilidade.

2002 - A Copa em que se acordava bem cedo para ver os jogos, em que as notícias chegavam via internet, tecnologia que aumentou a quantidade e agilizou a troca de informações e matou as até então imprescindíveis tabelinhas. Improvisei uma TV para ver os jogos em meu consultório e torci muito pelo time do Felipão, apesar da presença do Judas de chuteira. Lamentei haver uma final contra a Alemanha, mas a torcida pelo Brasil prevaleceu.

2006 - A primeira Copa das redes sociais. O clima de oba-oba do time brasileiro era total, não havia como torcer por uma seleção como a que passou por Weggis. Vi os jogos na TV improvisada no consultório e lamentei muito a eliminação de Alemanha e Portugal nas semi-finais. Dentre os finalistas, nenhum me agradava muito, mas devo ter escolhido a França para torcer.

2010 - A última Copa do Orkut, recordo que fui muito hostilizado por comemorar efusivamente a eliminação italiana. Não cheguei a torcer com muito entusiasmo para a seleção, mas tenho certeza que seria muito interessante ver o time de Dunga campeão, especialmente pelo modo como ele se relacionava com a imprensa. Em minhas Copas, Uruguai x Gana foi o jogo mais emocionante dentre todos tantos que eu vi. Outra lembrança que eu guardo foi minha volta ao universo das figurinhas, sob influência de minha irmã. A final entre duas seleções das quais não gostava me desanimou, mas hoje penso que foi bobagem da minha parte querer ignorar a partida. Foi um belo jogo.

2014 - Como escrevi em uma rede social "nos últimos 28 anos, acompanhei com entusiasmo 7 Copas do Mundo. A corrupção e a incompetência moldam a minha opinião a respeito dos governos mas não influenciam em nada o meu gosto pelo torneio ou se minha torcida vai para esta ou aquela seleção".E ao contrário do que uns disseram, tem Copa sim, e uma Copa muito boa por sinal.

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As imagens eu catei todas na internet, a maioria em sites como o Mercado Livre. Sinal que o saudosismo também movimenta a economia.

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